Estava comentando com algumas pessoas sobre a minha saga na busca de um lugar de fácil acesso onde eu possa ficar uma ou duas horas estudando ou lendo sem ser incomodada e sem incomodar ninguém.
Em casa não tem jeito, eu não me concentro lá, tem TV, internet, os gatos, coisas pra limpar e o pior de tudo: tem a cama me chamando insistentemente. Além disso, é bom sair de casa e ver um pouco de movimento.
Na empresa, não dá pra ficar também. Soldado no quartel quer serviço.
Aqui pertinho de onde eu trabalho tem uma biblioteca, e seria o ideal, mas só fica aberta até as 17:00, ou seja, nem se eu quisesse pegar um livro emprestado eu conseguiria.
Tem uma cafeteria até que bacana, mas fecha às 18:30 e em 15 minutos já vem a mocinha perguntar se pode retirar a xícara de café ou se eu vou querer mais alguma coisa. Entendo que ela queira que eu vá embora para que ela possa fechar o estabelecimento e ir pra casa descansar.
Essa situação me faz lembrar a dos espaços públicos e de como não somos bem recebidos nesses lugares, porque brasileiro, esse povinho moreno, não sabe se comportar.
Quem já não teve um segurança te seguindo num museu ou exposição? Como se roubar um Picasso, colocar na mochila e sair correndo fosse fácil, né? E segurança de parque que não te deixa deitar nos bancos? E bancos de praças (mal conservadas) destruídos para que ninguém (leia-se: mendigos) sente? E o metrô, obras gigantescas com espaços livres, meia dúzia de bancos na plataforma, piano avonts para quem quiser tocar mas a proibição de sentar em qualquer local. Tudo isso somente para a nossa segurança, afinal não queremos nos misturar a esse tipo de gente feia que ocupa o espaço público.
Resumindo, por enquanto vou ter que ir pra casa mesmo porque essa cidade gigantesca não ofere espaços públicos confortáveis, seguros e em horário não comercial.


Quando eu quero paz, tranquilidade, colocar os pensamentos em odem, vou a igrejas. De vantagem, não tenho que consumir nada.
Igrejas geralmente são barulhentas, talvez as católicas sejam mais silenciosas, mas de qualquer forma, não é possível abrir um livro e um caderno num banco de igreja e estudar.