Estava comentando com algumas pessoas sobre a minha saga na busca de um lugar de fácil acesso onde eu possa ficar uma ou duas horas estudando ou lendo sem ser incomodada e sem incomodar ninguém.
Em casa não tem jeito, eu não me concentro lá, tem TV, internet, os gatos, coisas pra limpar e o pior de tudo: tem a cama me chamando insistentemente. Além disso, é bom sair de casa e ver um pouco de movimento.
Na empresa, não dá pra ficar também. Soldado no quartel quer serviço.
Aqui pertinho de onde eu trabalho tem uma biblioteca, e seria o ideal, mas só fica aberta até as 17:00, ou seja, nem se eu quisesse pegar um livro emprestado eu conseguiria.
Tem uma cafeteria até que bacana, mas fecha às 18:30 e em 15 minutos já vem a mocinha perguntar se pode retirar a xícara de café ou se eu vou querer mais alguma coisa. Entendo que ela queira que eu vá embora para que ela possa fechar o estabelecimento e ir pra casa descansar.
Essa situação me faz lembrar a dos espaços públicos e de como não somos bem recebidos nesses lugares, porque brasileiro, esse povinho moreno, não sabe se comportar.
Quem já não teve um segurança te seguindo num museu ou exposição? Como se roubar um Picasso, colocar na mochila e sair correndo fosse fácil, né? E segurança de parque que não te deixa deitar nos bancos? E bancos de praças (mal conservadas) destruídos para que ninguém (leia-se: mendigos) sente? E o metrô, obras gigantescas com espaços livres, meia dúzia de bancos na plataforma, piano avonts para quem quiser tocar mas a proibição de sentar em qualquer local. Tudo isso somente para a nossa segurança, afinal não queremos nos misturar a esse tipo de gente feia que ocupa o espaço público.
Resumindo, por enquanto vou ter que ir pra casa mesmo porque essa cidade gigantesca não ofere espaços públicos confortáveis, seguros e em horário não comercial.
Em busca de um lugarzinho pra chamar de meu
23 janeiro 2012Respeite a minha profissão, porque se fosse fácil você mesmo faria
17 janeiro 2012Trabalhar com prestação de serviços não é fácil. Com TI então, nem se fala.
Não sei dizer se é só aqui no Brasil ou em outros países também, mas o problema é que queremos ser bem atendidos mas não valorizamos quem nos presta esse atendimento, somos mal educados e ainda queremos pagar pouco, se possível não pagar nada.
Na minha área, TI, eu não sei como mudar essa visão que as pessoas têm, de que tudo é fácil e rápido e não custa nada.
Se um médico disser que não tem como cuidar do coração infartado da pessoa porque é especializado em dermatologia, a pessoa pede desculpas pelo engano e vai procurar um médico especializado em cardiologia. O dermatologista é menos médico que o cardiologista? Não, mas não serve pra cuidar do coração.
Da mesma forma, me pergunte sobre algoritimos mas não queira que eu saiba o porquê da sua impressora não funcionar. Claro que eu sei alguma coisa sobre hardware ou redes, mas não é minha especialidade.
Se você respeita um médico e suas especialidades, por que não um profissional de outra área que também é segmentada em especializações?
Eu ainda dou o benefício de achar que a pessoa não sabe disso e explico que conheço apenas uma área e que existem outras que eu não sei nada e não posso ajudar, mas ela não quer nem saber, acha que é má vontade e que eu estou escondendo informação.
Antes eu até ficava mal por não ter podido ajudar no problema e por a pessoa achar que eu sou mesquinha ou preguiçosa, mas agora eu sinto apenas um grande desânimo.
Escrito por Ashen Lady 
