Meu cérebro dá tilt.
Para explicar eu até pensei numa analogia, em programação, é claro, porque eu penso em algorítmos. Seria mais ou menos assim, estou conduzindo um veículo com uma pessoa como navegador, eu só tenho poder de ação, todas as decisões são do navegador. Estamos indo por um caminho quando encontramos uma bifurcação, só há duas opções: esquerda ou direita. Pergunto ao navegador qual delas devemos seguir e ele responde “siga em frente”, mas em frente só tem um muro, não tem mais estrada, pergunto novamente e ele continua respondendo “siga em frente” e essa resposta é um comando inválido, ou seja, não tem como executar, então eu fico lá, parada, sem saber o que fazer porque o navegador não toma uma decisão lógica e dentro do conjunto de opções válidas.
Situações na vida real:
Uma vez na faculdade, no penúltimo ou último semestre, era uma época de greve. Sentados no canteiro comentávamos sobre partidos políticos e sobre quem votou em quem. Eu, petista assumida, declarei que tinha votado no PT, um colega de curso ao ouvir isso soltou exasperado: “Todo mundo diz que vota no PT, mas por que ele nunca ganha?” Eu fiquei sem reação porque não esperava toda aquela agressividade vindo de outra pessoa que se declarava petista também. Quem cortou os segundos de silêncio foram outros colegas, porque eu não conseguia articular uma palavra, meu cérebro paralizado provavelmente ainda dando reboot. Os outros alertaram o tal colega de que éramos somente uma faculdade com algumas centenas de eleitores de esquerda, o que era pouco para eleger um presidente comparado com o total de eleitores no país. Passou, ficou por isso mesmo, acho até que o rapaz não ia com a minha cara, eu não me importava com isso, mas eu nunca esqueci esse momento em que eu não consegui pensar.
Outra vez de pane, foi também na época da faculdade. Tinha uma garota de outro curso que fazia umas aulas comigo então a gente sempre conversava e ela morava na mesma rua em que eu trabalhava. Um dia, saindo do serviço e indo para o metrô encontro com ela e o namorado, um cara que não estudava lá, mas era comum ele estar numa aula ou outra. Peguei carona com eles e no meio de uma conversa ele usou a palavra “ordinário”. Então ele se voltou para mim e perguntou: “Você sabe o que quer dizer ordinário?”. Meu cérebro parou na hora, não porque eu não soubesse, mas porque não conseguia entender porque raios eu não saberia o significado de uma palavra tão comum. Fiquei muda, para variar, e diante do meu silêncio ele começou a explicar. Nem fiz questão de esclarecer que já sabia o que queria dizer a palavra. Mas mais uma vez eu fiquei pensando no porquê do meu cérebro parar.
Tem outras situações, geralmente no trabalho, clientes têm o hábito de solicitar e questionar coisas tão sem sentido que vez ou outra meu cérebro da tilt.
Hoje em dia eu tenho o pavio mais curto e o policiamento para não aguentar agressões calada me faz ter uma reação mais rápida, mas mesmo assim, vez ou outra meu cérebro dá pau.
Sabe aquela propaganda da Aple sobre ser um Mac ou PC? Definitivamente eu sou um PC e meu sistema operacional é Windows.