Ashen Lady’s Blog

25 Fevereiro 2009

Esse cérebro executou uma operação ilegal e será fechado

Arquivado em: Filosofando — Ashen Lady @ 8:44 pm

Meu cérebro dá tilt.

Para explicar eu até pensei numa analogia, em programação, é claro, porque eu penso em algorítmos. Seria mais ou menos assim, estou conduzindo um veículo com uma pessoa como navegador, eu só tenho poder de ação, todas as decisões são do navegador. Estamos indo por um caminho quando encontramos uma bifurcação, só há duas opções: esquerda ou direita. Pergunto ao navegador qual delas devemos seguir e ele responde “siga em frente”, mas em frente só tem um muro, não tem mais estrada, pergunto novamente e ele continua respondendo “siga em frente” e essa resposta é um comando inválido, ou seja, não tem como executar, então eu fico lá, parada, sem saber o que fazer porque o navegador não toma uma decisão lógica e dentro do conjunto de opções válidas.

Situações na vida real:

Uma vez na faculdade, no penúltimo ou último semestre, era uma época de greve. Sentados no canteiro comentávamos sobre partidos políticos e sobre quem votou em quem. Eu, petista assumida, declarei que tinha votado no PT, um colega de curso ao ouvir isso soltou exasperado: “Todo mundo diz que vota no PT, mas por que ele nunca ganha?” Eu fiquei sem reação porque não esperava toda aquela agressividade vindo de outra pessoa que se declarava petista também. Quem cortou os segundos de silêncio foram outros colegas, porque eu não conseguia articular uma palavra, meu cérebro paralizado provavelmente ainda dando reboot. Os outros alertaram o tal colega de que éramos somente uma faculdade com algumas centenas de eleitores de esquerda, o que era pouco para eleger um presidente comparado com o total de eleitores no país. Passou, ficou por isso mesmo, acho até que o rapaz não ia com a minha cara, eu não me importava com isso, mas eu nunca esqueci esse momento em que eu não consegui pensar.

Outra vez de pane, foi também na época da faculdade. Tinha uma garota de outro curso que fazia umas aulas comigo então a gente sempre conversava e ela morava na mesma rua em que eu trabalhava. Um dia, saindo do serviço e indo para o metrô encontro com ela e o namorado, um cara que não estudava lá, mas era comum ele estar numa aula ou outra. Peguei carona com eles e no meio de uma conversa ele usou a palavra “ordinário”. Então ele se voltou para mim e perguntou: “Você sabe o que quer dizer ordinário?”. Meu cérebro parou na hora, não porque eu não soubesse, mas porque não conseguia entender porque raios eu não saberia o significado de uma palavra tão comum. Fiquei muda, para variar, e diante do meu silêncio ele começou a explicar. Nem fiz questão de esclarecer que já sabia o que queria dizer a palavra. Mas mais uma vez eu fiquei pensando no porquê do meu cérebro parar.

Tem outras situações, geralmente no trabalho, clientes têm o hábito de solicitar e questionar coisas tão sem sentido que vez ou outra meu cérebro da tilt.

Hoje em dia eu tenho o pavio mais curto e o policiamento para não aguentar agressões calada me faz ter uma reação mais rápida, mas mesmo assim, vez ou outra meu cérebro dá pau.

Sabe aquela propaganda da Aple sobre ser um Mac ou PC? Definitivamente eu sou um PC e meu sistema operacional é Windows.

22 Fevereiro 2009

1984

Arquivado em: Blogroll — Ashen Lady @ 12:18 pm

Vocês estão sabendo que num editorial da Folha de S.P. chamaram a ditadura no Brasil de “ditabranda”? Porque a gente somos inútil e nem politicamente violentos conseguimos ser.

Absurdo total! Tão absurdo que fica até difícil dizer alguma coisa.

Leiam o post da Mary W que traz algumas reações de leitores.

Como disse um deles é a novilíngua. Estão reescrevendo a história.

20 Fevereiro 2009

Folia

Arquivado em: Blogroll — Ashen Lady @ 1:53 pm

Então começou o carnaval. Quer dizer, aqui em São Paulo só começa hoje à noite porque a gente ainda tem que trabalhar o dia inteiro. No jornal matutino vimos que na Bahia já é carnaval desde ontem e que outros estados já estão imersos na folia. Definitivamente estamos no estado errado. Eu ainda vou ficar de folga na segunda e terça mas o marido vai trabalhar todos os dias. Não é uma crítica bairrista não. Estamos é com dor de cotovelo porque aqui os negócios não param. Não duvido nada de que se um dia o mundo acabasse, os paulistanos só morreriam depois das 18:00 quando acabasse o expediente.

E antigamente eu estaria ansiosa para ir viajar. Carnaval em casa? Nem pensar. Enfrentaria tudo, calor, trânsito, filas no mercado, filas na padaria, falta de água, dormir no chão, gente bêbada, música ruim, não importa o que acontecesse tudo era uma diversão. Então a gente vai perdendo a paciência, e no final, tudo o que a gente quer é ficar em casa, dormir até tarde, ficar de pijama, comer porcaria e ver TV. Achamos incrível a cidade vazia e ficamos sonhando com uma São Paulo assim para sempre, até a gente resolver comer num shopping e descobrir que ele está lotado. Ficamos fazendo contas, se tantos milhões de pessoas sairam da cidade, outros tantos milhões estão em casa, como pode ter tanta gente ainda nos shoppings? A conta não bate porque não descobrimos como cabe tanta gente num mesmo espaço. Leis da física? Hunf. Conta outra.

E depois, quando o ano tiver oficialmente começado, é voltar para o batente e contar os dias para o próximo feriado.

16 Fevereiro 2009

Eu tenho medo: O estilo Regina Duarte de ser

Arquivado em: Blogroll — Ashen Lady @ 8:37 pm

Não consigo entender esse medo todo por causa da aprovação da reeleição sem limite na Venezuela.

Hugo Chavez não foi eleito e reeleito democraticamente?

Sim.

Então ele não é um ditador e nem se tornará porque terá que concorrer novamente a cada final de mandato e se não ganhar terá que ceder a presidência.

Apesar dos boatos de tentativa de fraude, os observadores internacionais não relataram nada de fraudulento.

E que eu saiba, foi a direita que tentou dar um golpe para derrubá-lo tempos atrás. Coisa feia para quem defende tanto a democracia.

Ah, mas ele usa a máquina do governo para conseguir votos. E qual governo não propagandeia as benfeitorias e joga pra baixo do tapete as falcatruas?

No referendo, o SIM teve aproximadamente 54% dos votos, isso quer dizer que atualmente, pouco mais da metade da população aprova o governo dele.

Suponhamos que as coisas piorem bastante na Venezuela, crise e desemprego assolando o país, dificilmente esses 54% se materiam.

E então o povo venezuelano é tão apaixonado pelo presidente que cegos de amor não veriam os problemas e o manteriam no poder?

Não é muita arrogância nossa supor que os venezuelanos sejam tão tapados que não consigam votar “certo”?

Eu acho muito improvável que o Chavez inconformado com a perda numa futura eleição tente um golpe de estado. Mas se ele fizer, SE fizer, aí sim ele seria ou tentaria ser um ditador, mas por enquanto não vejo diferença entre ele e o ex-presidente FHC, exceto pelo fato de que na Venezuela o povo decidiu se queria ou não a releição e no nosso caso, nem fomos consultados.

Update: Ótimo esclarecimento sobre esse assunto no AbundaCanalha.

13 Fevereiro 2009

Falta de privacidade

Arquivado em: Blogroll — Ashen Lady @ 11:05 am

Ultimamente quando vou pagar a conta do restaurante ou do supermercado me vejo fazendo contorcionismos para conseguir digitar a senha do cartão sem que a pessoa que está atrás de mim veja minha sequência de números.

O que está acontecendo com as pessoas? Onde foi parar aquele espaço pessoal que todos respeitávamos?

As pessoas brincam que paulista adora uma fila, mas convenhamos, nessa cidade gigantesca com habitantes saindo pelo ladrão há que se ter um mínimo de ordenamento senão a coisa não anda, literalmente. Então se você mora nessa cidade dificilmente ficará livre de filas.

Se eu consigo ficar numa fila sem albaroar a pessoa da frente, por que raios a pessoa que está atrás de mim não consegue fazer o mesmo? É técnica? Quem sabe eu me irrite tanto e deixe a pessoa passar na frente? Às vezes eu digo para o marido que vou ficar dias sem tomar banho e trocar de roupa, vou ficar fedendo para ver se as pessoas param de grudar em mim. Não estou falando de um esbarrão casual, uma trombada, isso é normal, acontece, estou falando de gente que não sabe respeitar a privadade alheia. A não ser, é claro, que você seja dessas pessoas que gostam de sentir bafo quente no pescoço de um completo estranho na fila do restaurante a quilo.

Falar de celular é chover no molhado. Ninguém mais tem vergonha de discutir os assuntos domésticos em praça pública. Mas agora tem aqueles aparelhos que parecem radinho de pilha. O fulano todo orgulhoso do seu requintado gosto musical, não se conforma em ouvir sozinho tão bela carícia auricular e num ato de extremo autruísmo partilha a música com todos os estranhos a sua volta.

E o povo que fica olhando suas compras enquanto você passa no caixa? Dias desses no mercado uma senhora não satisfeita em examinar minhas compras, perguntou não só o que eu iria fazer com as compras, mas também como e porquê. Interrogatório mesmo.

Você tenta evitar esse tipo de contato, alguns usam fones de ouvido, eu prefiro ficar lendo, mas nem isso estão respeitando mais. Dias desses um senhor interrompeu minha leitura no metrô para perguntar se a história estava boa, eu soltei um resmungo e voltei para o livro mas ele não se deu por vencido e queria saber sobre o que era que eu estava lendo.

E vai você reclamar? Dizer que não quer papo, que não quer contato físico, que não quer socializar. Será atacado por uma horda enfurecida, indignados com tamanha falta de educação vinda de uma pessoa limpa e cheirosinha.

12 Fevereiro 2009

Coadjuvantes da vida real

Arquivado em: Blogroll — Ashen Lady @ 11:20 am

Ontem, finalmente assisti “Marley e eu”.

Não, eu não chorei. Pra falar a verdade nem sequer uma lagriminha passou perto. Talvez seja porque eu nunca tive um animal de estimação e a empatia não é tão forte.

A história é bacana e eu gostei do filme, apesar dos atores. É que me cansa ator que faz o mesmo papel sempre, e o Owen e Aniston são sempre os mesmos. Cara bobão e mulher bonita que sabe-se lá porque casa com o cara bobão.

Mas eu me identifiquei com o personagem do Owen, quando ele percebe que não é bom como reporter, mas é ótimo como cronista. Quem brilha fazendo reportagens sérias e emocionantes é o seu amigo aventureiro e galanteador, a ele sobram as simples picuinhas do dia-a-dia.

Sabe quando o cara toma conhecimento de que nunca será o vocalista ou o guitarrista da banda, no máximo o baterista.

Aquele ator/atriz que embora seja elenco fixo da Globo, sempre será o motorista/empregada/vizinha/dono da quitanda e nunca o vilão ou a mocinha.

Gostei do filme porque é uma história sobre um coadjuvante da vida.

E eu faço parte desse time.

10 Fevereiro 2009

Um dia, a escola pública foi boa

Arquivado em: Blogroll — Ashen Lady @ 3:40 pm

Esses dias eu descobri o blog do Marcelo Rubens Paiva.

Eu sou fã dele. Tenho todos os livros, incluindo o mais novo que li há poucos meses.

Não sei se ainda é assim hoje, mas na minha época, conhecíamos o M.R.Paiva na quinta-série e nos apaixonávamos. Nas meninas até rolava fantasias platônicas, mas todo mundo se apaixonava por ele, meninos e meninas.

Tempos bons, onde nos fins de semana, cansados de jogar vôlei na rua, sentávamos na calçada e discutíamos Blackout e Feliz Ano Velho por horas até começar a escurecer e termos que ir para casa.

Também alvos de nossas discussões eram Odette de Barros Motta, Ganymedes José, Marcos Rey e tantos outros.

Quem diria que um dia houveram alunos de escola pública na periferia que sentavam nas calçadas, descalços, sujos e suados e filosofavam sobre livros?

9 Fevereiro 2009

Com a cabeça enfiada no umbigo

Arquivado em: Blogroll — Ashen Lady @ 2:41 pm

Os finais de semana tem passado voando. Tenho certeza de que um minuto do fim de semana não tem os mesmos 60 segundos dos dias úteis.

Onde/quando exatamente a gente opta por pensar? Por que nunca tem alguém para avisar que é um caminho feio, solitário e sem volta?

Nem que eu presencie a estupidez humana por toda a minha vida, ainda sim morrerei estupefata.

3 Fevereiro 2009

Crepúsculo

Arquivado em: Blogroll — Ashen Lady @ 5:19 pm

Acabei de ler Crepúsculo. Eu não vi o filme e provavelmente não verei à menos que passe na TV e eu esteja de bobeira na hora. Talvez eu leia os demais livros se minha irmã comprar, porque eu leio tudo que cai na minha mão mesmo.
Crepúsculo me lembrou do quanto a gente é bobinha, intolerante, arrogante e sem jogo de cintura quando adolescentes.
Livro infanto-juvenil, cheio de clichês e com ares de modernex só porque além de romance tem tensão sexual.
Pais ausentes. Mocinha pamonha. Mocinho infantil. Síndrome de super-herói em ambos.
Foi impressão minha ou ninguém na cidade (exceto os vampiros que também são forasteiros) era interessante? Talvez uma das colegas de escola, Angela, creio eu, mas a mocinha era boa e civilizada demais para se misturar com os caipiras.
Achei insignificante a participação do chefe indígena, podia ser melhor explorada. Talvez seja nos próximos livros.

Mas tem coisas boas.
Gostei da forma como os vampiros se apresentam à luz do dia. Até agora que eu soubesse somente o Lestat conseguia andar sob o sol porque ficou forte o suficiente para não ser torrado.
Amei o vampiro rastreador, só ficou faltando dizer como ele foi exterminado. Acho que isso até atrairia os meninos, porque verdade seja dita, é uma historinha água-com-açúcar para meninas que gostam de tudo cor-de-rosa e sonham com príncipes encantados para tirá-las da vidinha comum e levá-las a um mundo de maravilhas inimagináveis. O que seria uma existência sem graça numa cidadezinha do interior se torna um admirável mundo novo.

Acho mesmo é que eu perdi meu tempo lendo essa historinha Malhação versão Mutantes ou só estou sendo ranzinza. É que depois de O Turno da Noite do André Vianco eu cansei de ler historinha de vampiro(a) (alter ego?) bonito, rico, forte, inteligente e bacana. Pô aí até eu quero ser. Fica parecendo aqueles contos mal escritos de comunidade gótica.

Mas para quem não está a fim de enredos mais elaborados é um bom passatempo.

Opinião pessoal, afinal que autoridade eu tenho para criticar?

2 Fevereiro 2009

Sem esperanças

Arquivado em: Blogroll — Ashen Lady @ 7:53 pm

Michel Temer e José Sarney.

É… cada povo tem o governante que merece. Pelo jeito, os brasileiros merecem o PMDB.

Memória zero. Integridade zero. Vergonha na cara -10.

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